Orçado versus realizado: decomposição de volume, preço e custo

CADERNO FINANCEIRO · ORÇAMENTO E VARIAÇÕES

Superar a receita orçada não garante superar o resultado. A análise precisa separar quantidade vendida, preço realizado, custo unitário e despesas fixas. A diferença final deve ser explicada por componentes que fechem matematicamente, sem compensações ocultas.

Preservar a versão do orçamento

O roteiro proposto utiliza uma base aprovada com período, produtos, quantidades e preços. Se o orçamento for revisado, conserve a versão original e identifique a nova finalidade. Comparar realizado com uma previsão já ajustada ao resultado observado não mede o cumprimento do plano inicial.

O realizado precisa usar as mesmas definições. Receita, descontos, tributos, custos e unidades devem ser comparáveis. Uma mudança de plano de contas ou classificação pode explicar parte da diferença sem representar alteração operacional.

Exemplo de receita: volume aumenta, preço cai

Hipótese didática: o orçamento prevê mil unidades a R$ 100,00, total de R$ 100.000,00. O realizado registra 1.100 unidades a R$ 95,00, total de R$ 104.500,00. Os preços já estão na base gerencial definida, sem outras componentes na simulação.

EfeitoOperaçãoVariação de receita
Volume ao preço orçado(1.100 − 1.000) × 100+ R$ 10.000,00
Preço sobre o volume realizado1.100 × (95 − 100)− R$ 5.500,00
Total explicado10.000 − 5.500+ R$ 4.500,00

A ponte fecha com 104.500 − 100.000 = R$ 4.500,00. A ordem escolhida atribui a interação entre preço e quantidade ao segundo efeito. Outro método pode distribuir essa interação de modo diferente, mas deve explicar o mesmo total. Não se somam duas decomposições alternativas como efeitos adicionais.

Agora inclua a variação do custo

O custo variável orçado é R$ 60,00 por unidade e o realizado, R$ 63,00. O total passa de R$ 60.000,00 para R$ 69.300,00. A diferença de R$ 9.300,00 se decompõe em R$ 6.000,00 de volume, calculados como cem unidades adicionais a R$ 60,00, e R$ 3.300,00 de custo unitário, calculados como 1.100 × R$ 3,00.

A contribuição orçada é R$ 40.000,00; a realizada é R$ 35.200,00. Logo, ela cai R$ 4.800,00, mesmo com aumento de receita. A ponte é +R$ 4.500,00 de receita menos R$ 9.300,00 de custos adicionais. Não se deve atribuir toda a queda ao preço de venda.

Despesas fixas completam o resultado

Na continuação da hipótese, despesas fixas passam de R$ 15.000,00 orçados para R$ 16.000,00 realizados. O resultado gerencial cai de R$ 25.000,00 para R$ 19.200,00. A diferença total é negativa em R$ 5.800,00: R$ 4.800,00 na contribuição e R$ 1.000,00 nas despesas fixas.

O exemplo não representa lucro líquido contábil ou tributável, pois utiliza apenas as rubricas declaradas. Custos classificados como fixos podem mudar por escopo ou capacidade. A definição deve ser revisada quando a operação muda, em vez de presumir que todo gasto fixo é imutável.

Diferença calculada não é causa operacional comprovada

O efeito de preço pode decorrer de desconto, mudança de contrato ou produto vendido. O custo unitário pode variar por compra, consumo, perdas ou método de alocação. A decomposição orienta a investigação; documentos comerciais e operacionais precisam explicar o motivo.

Em operações multiproduto, o mix deve ser analisado separadamente. Comparar preço médio sem observar a composição pode atribuir a reajuste uma diferença causada pela venda de itens mais baratos. A base analítica precisa permitir essa abertura.

Rotina de revisão e decisão

O relatório pode reunir ponte, documentos, responsáveis e ações. Preserve também o efeito no caixa, que pode diferir do resultado pela data de recebimento ou pagamento. Uma redução de despesa por atraso na nota não deve ser apresentada como economia comprovada.

A Growth Office pode organizar a análise no orçamento empresarial e na gestão de margem. Método e valores são próprios. Solicite a decomposição das diferenças entre plano e realização.