Limite de crédito por cliente: recebíveis, pedidos e exposição comprometida
CADERNO FINANCEIRO · CRÉDITO COMERCIAL
O saldo de contas a receber pode estar abaixo do limite, enquanto os pedidos já aprovados comprometem toda a disponibilidade. Antes de liberar outra venda a prazo, o financeiro precisa enxergar as obrigações constituídas e os compromissos que ainda chegarão ao faturamento.
Definir o alcance da política
A política deve identificar cliente, moeda, prazo, data de revisão, autoridade aprovadora e operações abrangidas. Um limite aprovado para determinado prazo não deve ser estendido automaticamente a vencimentos maiores. A análise de capacidade e risco que sustenta a aprovação é diferente do cálculo operacional de quanto já foi utilizado.
Este guia apresenta uma composição gerencial, não recomenda limite para um cliente real. A empresa precisa decidir quais pedidos comprometem o limite e em qual etapa. Orçamento não aceito, pedido aprovado e mercadoria expedida não devem receber o mesmo estado por conveniência do sistema.
Impedir duplicidade entre pedido e fatura
Ao faturar um pedido, a exposição muda de categoria. Ela não deveria aumentar duas vezes pelo mesmo valor. A chave do pedido deve ligar as parcelas emitidas, as entregas e o saldo ainda não faturado. Cancelamentos e alterações também precisam preservar esse vínculo.
Recebimentos precisam estar confirmados e identificados antes de liberar capacidade. Um comprovante enviado pelo cliente pode exigir conferência bancária. Promessa de pagamento não é baixa do recebível, e pagamento de outra empresa não deve ser utilizado sem fundamento e autorização pertinentes.
Exemplo de exposição antes da liberação
Hipótese gerencial: limite aprovado de R$ 100.000,00. O cliente tem R$ 70.000,00 de recebíveis em aberto e R$ 20.000,00 de pedidos já aprovados, ainda não incluídos nesses recebíveis. Solicita nova venda a prazo de R$ 15.000,00. Não há garantias dedutíveis, pagamentos em trânsito ou outras operações na simulação.
| Conferência | Operação | Valor |
|---|---|---|
| Exposição já comprometida | 70.000 + 20.000 | R$ 90.000,00 |
| Disponibilidade antes do novo pedido | 100.000 − 90.000 | R$ 10.000,00 |
| Exposição com a nova venda | 90.000 + 15.000 | R$ 105.000,00 |
| Excesso sobre o limite aprovado | 105.000 − 100.000 | R$ 5.000,00 |
Olhar apenas os R$ 70.000,00 do contas a receber mostraria disponibilidade aparente de R$ 30.000,00. A composição revela que a liberação depende de decisão sobre R$ 5.000,00 acima do limite. O cálculo não autoriza a exceção; apenas a identifica para a alçada responsável.
Garantia não equivale a recebimento
Uma garantia pode influenciar a política de crédito, mas precisa de instrumento, valor, beneficiário, validade e condições de execução. Não se desconta seu valor nominal da exposição como se fosse dinheiro recebido. A mesma garantia também não deve cobrir integralmente vários limites sem verificar sua abrangência.
Adiantamentos identificados podem modificar a exposição da operação correspondente. O procedimento deve mostrar a imputação, sem deixar o valor simultaneamente reduzindo pedidos e recebíveis. A conciliação precisa fechar por cliente e por documento.
Revisão, bloqueio e exceções
A carteira deve mostrar vencidos, renegociados, disputados e a vencer. Estar dentro do limite quantitativo não comprova que toda venda deva ser aprovada. Um atraso relevante pode exigir análise mesmo com exposição baixa, conforme a política adotada.
Exceções devem registrar valor, prazo, justificativa e aprovador. Uma liberação pontual não altera permanentemente o limite. O sistema precisa conservar a decisão e impedir que uma autorização antiga seja reutilizada para pedidos diferentes.
A Growth Office pode integrar esse controle à antiguidade dos recebíveis e à governança de alçadas. Solicite a composição da exposição comercial e das regras de liberação. A definição do risco aceitável permanece com a administração.
