Estoques abaixo do custo: valor realizável líquido, ajuste e reversão
CADERNO CONTÁBIL · MENSURAÇÃO DE ESTOQUES
Uma mercadoria pode continuar fisicamente no depósito e precisar de redução no valor contábil. A avaliação deve considerar o preço de venda estimado e os gastos necessários para concluir e vender o item. Redução de valor e falta física são problemas diferentes.
Custo e possibilidade de realização
O roteiro utiliza um inventário conciliado por produto, quantidade, lote e condição. O custo deve estar demonstrado antes de compará-lo com a venda estimada. Uma falha na valorização das compras não deve ser compensada por ajuste de recuperabilidade sem que sua causa seja tratada.
O CPC 16 estabelece, em seu alcance, o menor entre custo e valor realizável líquido. A revisão posterior pode reverter redução anterior, limitada ao ajuste originalmente reconhecido, mantendo a comparação com o custo. Os itens 28 a 33 orientam essa avaliação. Fonte: CPC 16.
Preço de venda não é o valor líquido
A memória proposta identifica preço, condição do produto, gastos de conclusão e despesas necessárias à venda. Uma cotação para produto novo pode não refletir o lote avariado. Frete, reparo e comissão devem ser examinados conforme a operação, sem adicionar novamente componentes que já estejam deduzidos da estimativa recebida.
Registre a origem da estimativa e sua data. Uma campanha excepcional pode não representar a perspectiva do estoque inteiro. Por outro lado, manter o preço antigo quando há evidência de redução persistente pode superestimar a realização. O documento deve permitir entender o julgamento adotado.
Exemplo com cem unidades
Hipótese didática: cem unidades custam R$ 50,00 cada. A venda estimada por unidade é R$ 46,00, com R$ 6,00 de gastos necessários para realizá-la. Não há outras condições ou ajustes na simulação.
| Etapa | Operação | Resultado |
|---|---|---|
| Valor realizável líquido unitário | 46 − 6 | R$ 40,00 |
| Estoque ao custo | 100 × 50 | R$ 5.000,00 |
| Valor após a comparação | 100 × 40 | R$ 4.000,00 |
| Redução reconhecida na hipótese | 5.000 − 4.000 | R$ 1.000,00 |
As cem unidades permanecem no inventário. Não se reduz a quantidade para oitenta apenas porque o valor passou a R$ 4.000,00. Esse procedimento apagaria itens existentes e distorceria o controle físico.
Reversão não é valorização ilimitada
Admitindo que o mesmo lote continue integralmente em estoque e que nova evidência eleve o valor realizável líquido a R$ 48,00 por unidade, o valor passaria a R$ 4.800,00 e a reversão seria R$ 800,00. Restariam R$ 200,00 do ajuste anterior. Se o valor líquido posteriormente atingisse R$ 55,00, o custo de R$ 5.000,00 continuaria limitando a mensuração dessa hipótese.
A reversão exige demonstrar a mudança da condição, não apenas necessidade de melhorar o resultado. Se parte das unidades já foi vendida, a memória deve acompanhar o lote remanescente e os ajustes baixados. Reverter integralmente o saldo de itens que já saíram pode criar ganho sem fundamento.
Fechamento por item e condição
O cadastro deve ligar custo, quantidade, redução, utilização e reversão. Itens diferentes não devem ter perdas escondidas pela margem de produtos rentáveis apenas para manter o total da categoria. Agrupamentos precisam de justificativa e composição verificável.
A análise também deve distinguir obsolescência comercial, dano físico e erro de inventário. Cada causa produz providências diferentes. A confirmação operacional da condição do lote deve ser realizada por quem tem competência e acesso aos bens.
A Growth Office pode organizar a memória junto ao controle de estoques e ao fechamento contábil. Dedutibilidade fiscal e descarte físico exigem análise própria. Solicite a conferência dos custos, estimativas de venda e ajustes do inventário.
