Contabilidade para posto de combustível: tanques, cartões e margem

GUIA CONTÁBIL PARA POSTOS

Contabilidade para posto de combustível: tanques, cartões e margem

Como reconciliar estoque físico, bombas, notas, cartões, conveniência e despesas operacionais para conhecer a margem por produto e turno.

Litros e reais precisam fechar juntos

O posto recebe combustível por documento e volume descarregado, armazena em tanques e vende por bombas, turnos e formas de pagamento. Diferenças entre medição física, encerrantes, sistema, notas e adquirentes podem representar corte, falha operacional ou perda. Sem conciliação diária, o ajuste aparece apenas no inventário.

A loja de conveniência é outra unidade econômica, com mix, validade e margem próprios. Combustível, lubrificantes, lavagem e conveniência não devem ser analisados como uma única receita média.

Mapa mínimo de controle

  • Produto, tanque, capacidade, medição inicial e final e entrada confirmada.
  • Bomba e bico, encerrante, turno, operador e volume vendido.
  • Preço, desconto, venda em dinheiro, PIX, cartão, frota ou convênio.
  • Nota de compra, frete, custo unitário e contas a pagar.
  • Quebra técnica, sobra, ajuste, ocorrência e aprovação.
  • SKU da conveniência, validade, perda, venda e margem.

Fechamento diário e mensal

  1. Concilie o volume: compare estoque inicial, entradas, vendas e medição final por tanque.
  2. Feche os caixas: una turnos, formas de pagamento, sangrias e depósitos.
  3. Concilie cartões: compare venda capturada, taxa, agenda e crédito bancário.
  4. Revise compras: valide quantidade recebida, custo e documento do fornecedor.
  5. Investigue perdas: mantenha causa, responsável e evidência para cada ajuste.
  6. Feche a margem: calcule produto, canal, turno e unidade sem misturar conveniência.

Exemplo de conciliação

Um tanque inicia o dia com 12.000 litros, recebe 8.000 e registra vendas de 9.500. O saldo teórico é 10.500 litros. A medição física indica 10.420, uma diferença de 80 litros. Antes de classificar como perda, a equipe verifica corte de horários, recebimento, encerrantes, calibração e documentação.

No financeiro, R$ 52.000 em cartões não devem ser comparados diretamente ao crédito líquido de R$ 50.700. A conciliação separa taxas, antecipações, cancelamentos e parcelas ainda na agenda.

Estoque, ativos e receita

O CPC 16 — Estoques orienta custo, perdas e valor realizável líquido. Tanques, bombas e equipamentos próprios usados por vários períodos são avaliados conforme o CPC 27 — Ativo Imobilizado.

O CPC 47 orienta o reconhecimento da receita. Convênios, programas de fidelidade, comissões e vendas em nome de terceiros podem exigir análise específica. Questões fiscais e regulatórias devem ser validadas pelos responsáveis competentes.

Indicadores executivos

  • Margem por combustível, conveniência e serviço.
  • Diferença volumétrica por tanque, produto e período.
  • Venda, desconto e quebra por turno.
  • Taxas e prazo de recebimento por adquirente.
  • Giro, validade e perda na conveniência.
  • Capital de giro em estoque e recebíveis.

Perguntas frequentes

Toda diferença de tanque é perda?

Não. Corte, medição, temperatura, cadastro e recebimento precisam ser investigados antes da classificação.

Taxa de cartão reduz receita ou é despesa?

A apresentação depende da substância do acordo e da política. O controle deve mostrar venda bruta, taxa e crédito líquido sem perder rastreabilidade.

Conveniência pode usar o mesmo custo médio do combustível?

Não. São estoques, ciclos e margens diferentes; a análise precisa ser separada.

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