Contabilidade para indústria de calçados: pares, grades e facção

GUIA CONTÁBIL PARA CALÇADOS

Contabilidade para indústria de calçados: pares, grades e facção

Como controlar materiais, grades, pares em processo, facção, perdas, segunda qualidade e coleções para apurar custo e margem.

Custo por par precisa respeitar modelo e grade

Cabedal, sola, palmilha, aviamentos e embalagem variam por modelo e numeração. Pequenos lotes, trocas de cor e setup afetam produtividade. Quando o custo é médio demais, coleções complexas parecem rentáveis e erros só aparecem na liquidação do estoque.

A ordem deve conectar ficha técnica, grade, materiais, etapas internas, facção, inspeção, pares aprovados e venda.

Cadastro mínimo

  • Modelo, coleção, cor, grade, lote e quantidade planejada.
  • Materiais requisitados, devolvidos e consumidos.
  • Corte, costura, montagem, acabamento e embalagem.
  • Facção enviada, recebida, rejeitada e ainda em terceiros.
  • Pares aprovados, segunda qualidade, retrabalho e perda.
  • Estoque acabado, pedido, devolução e desconto comercial.

Fechamento industrial

  1. Congele ordens: identifique etapa e quantidade na data de corte.
  2. Concilie materiais: compare requisição, inventário e saldo na facção.
  3. Apure produção: feche pares bons, segunda qualidade e refugos.
  4. Rateie custos: use horas, pares equivalentes e capacidade normal.
  5. Revise coleções: teste giro, preço e risco de obsolescência.
  6. Analise margem: compare modelo, cliente, canal e devolução.

Exemplo de lote

Uma ordem de 2.000 pares acumula R$ 76.000 em materiais, R$ 28.000 em mão de obra, R$ 14.000 em facção e R$ 8.000 em custos fabris. Se apenas 1.900 pares forem aprovados, o custo de R$ 126.000 equivale a R$ 66,32 por par bom antes de recuperar segunda qualidade.

Distribuir o custo pelos 2.000 planejados esconderia a perda. A causa deve ser separada entre variação normal, erro de material, processo ou especificação.

Normas e limites

O CPC 16 — Estoques orienta custos de transformação, capacidade normal, perdas e valor realizável líquido. Máquinas e moldes controlados pela empresa são avaliados conforme o CPC 27.

A receita e devoluções seguem o CPC 47. Coleção antiga, descontos e direitos de retorno exigem estimativas documentadas.

Indicadores

  • Custo e margem por modelo, grade e canal.
  • Pares por hora e rendimento de materiais.
  • Saldo em facção e idade por ordem.
  • Segunda qualidade, retrabalho e perda.
  • Giro e cobertura por coleção.
  • Devolução por motivo e cliente.

Perguntas frequentes

Material na facção sai do estoque?

Não por simples deslocamento físico. A titularidade e a etapa devem permanecer controladas.

Segunda qualidade tem custo zero?

Não. A política precisa distribuir custos com base racional e considerar o valor realizável.

Coleção antiga deve ser baixada?

É necessário comparar custo e valor realizável, documentando descontos, demanda e condição do estoque.

Checklist de revisão mensal

  • Ordens em processo têm etapa e quantidade física confirmadas.
  • Materiais em facção estão conciliados com terceiros.
  • Pares aprovados, retrabalhados e perdidos fecham com a produção.
  • Custos usam capacidade e direcionadores documentados.
  • Coleções antigas foram comparadas ao valor realizável.

O checklist precisa conservar modelo, grade e lote. Assim, uma diferença não é absorvida pela coleção inteira e a gestão consegue corrigir material, processo ou fornecedor.

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