Contabilidade para clínica de diagnóstico por imagem: custo por exame e glosas
GUIA CONTÁBIL PARA DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Contabilidade para clínica de diagnóstico por imagem: custo por exame e glosas
Como unir agenda, laudo, convênio, materiais, equipamentos e recebíveis para medir o resultado de cada modalidade de exame.
Agenda cheia não garante margem saudável
Ultrassom, raio X, tomografia, ressonância e outros exames usam estruturas de custo muito diferentes. A receita pode ser particular, conveniada ou contratada em pacote; o recebimento pode ocorrer semanas depois e sofrer glosas. Sem integrar agenda, execução, laudo, faturamento e banco, a clínica vê volume, mas não conhece margem nem qualidade do recebível.
A unidade mais útil de análise é o exame concluído, identificado por modalidade, pagador, unidade, equipamento e profissional responsável. Ele conecta produção assistencial, consumo, receita e custo.
Dados essenciais por exame
- Paciente ou identificador compatível com as regras de privacidade, pedido, modalidade e código do procedimento.
- Data de execução, laudo, unidade, equipamento, sala e tempo utilizado.
- Pagador, tabela, autorização, valor apresentado, valor aceito e prazo.
- Contraste, filme, material descartável, medicamento e outros consumos.
- Honorário médico, técnico, anestesia e serviço terceirizado quando aplicável.
- Glosa, recurso, recuperação, cancelamento e recebimento ligados à cobrança original.
Processo mensal integrado
- Valide a produção: compare agenda, exame realizado, laudo liberado e cancelamentos.
- Feche o faturamento: identifique exames enviados, pendentes de autorização e ainda não cobrados.
- Concilie recebíveis: vincule protocolo, demonstrativo do convênio, glosa, recurso e crédito bancário.
- Apure consumo: dê baixa em materiais e contraste por exame ou por critério validado.
- Calcule capacidade: meça horas disponíveis, ocupação, manutenção e indisponibilidade dos equipamentos.
- Analise margem: compare receita reconhecida e custos por modalidade, pagador e unidade.
Exemplo de custo por modalidade
Um equipamento realiza 420 exames no mês. A clínica apura R$ 58.000 de depreciação e manutenção, R$ 36.000 de equipe técnica, R$ 21.000 de materiais e R$ 15.000 de custos diretamente relacionados à sala. Antes de honorários específicos e despesas gerais, a base de custo é R$ 130.000, ou R$ 309,52 por exame se todos forem tratados igualmente.
Essa média é apenas ponto de partida. Exames podem ter tempos, consumo de contraste e complexidade diferentes. Direcionadores como minutos de equipamento, protocolo e material consumido produzem uma visão mais fiel. Se 8% do faturamento foi glosado, a clínica também precisa separar glosa definitiva, recurso em andamento e atraso operacional.
Equipamentos, materiais e reconhecimento
Equipamentos de diagnóstico devem ser avaliados segundo o CPC 27 — Ativo Imobilizado, incluindo componentes relevantes, valor depreciável, vida útil e revisão de estimativas. Materiais mantidos para consumo seguem a política baseada no CPC 16 — Estoques, com atenção a perdas, validade e rastreabilidade.
A receita é analisada conforme o CPC 47. Produção realizada, faturamento ao convênio e recebimento são eventos diferentes. A clínica deve documentar quando surge o direito, como mensura contraprestação variável e como estima valores sujeitos a glosa, com revisão periódica.
Veja também o guia sobre glosas em clínicas, receita e recebíveis.
Painel executivo recomendado
- Exames realizados, laudos pendentes e exames não faturados.
- Ticket e margem de contribuição por modalidade e pagador.
- Glosa inicial, recuperada e definitiva por motivo.
- Dias entre exame, protocolo, aprovação e recebimento.
- Ocupação, indisponibilidade e custo por hora de equipamento.
- Material consumido por protocolo e perdas por validade.
- Aging de recebíveis e valores sem conciliação.
Perguntas frequentes
O exame entra como receita quando é agendado?
Não. Agendamento é previsão. O reconhecimento depende da prestação e das condições contratuais; faturamento e recebimento também não devem ser confundidos.
Depreciação deve entrar no custo do exame?
Ela representa o consumo econômico do equipamento e é relevante para precificação e análise de capacidade. O modelo gerencial precisa usar critério consistente e conciliável com a contabilidade.
Toda glosa é perda imediata?
Não necessariamente. Algumas glosas são recorríveis e outras definitivas. A classificação deve refletir evidências de recuperação, histórico, prazo e política contábil.
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