Contabilidade para açougue: rendimento de cortes, perdas e margem
GUIA CONTÁBIL PARA AÇOUGUES
Contabilidade para açougue: rendimento de cortes, perdas e margem
Como transformar peso de entrada em cortes vendáveis, produção interna, perdas e estoque para conhecer custo e margem por categoria.
O quilo comprado se transforma em vários produtos
Peças inteiras e carcaças geram cortes com preços diferentes, aparas, ossos, gordura e perdas. Temperatura, desossa, porcionamento e validade alteram o rendimento. Aplicar o mesmo custo a todos os cortes pode superestimar alguns e esconder margem em outros.
O lote de entrada deve acompanhar peso, fornecedor, custo, produção dos cortes, estoque e venda.
Dados mínimos
- Fornecedor, documento, lote, peso e custo de entrada.
- Corte, peso produzido, embalagem e validade.
- Aparas, osso, gordura, perda e destinação.
- Produtos preparados, temperados ou moídos e sua ficha.
- Transferência entre balcão, câmara e produção.
- Venda, desconto, quebra, devolução e canal.
Fechamento por lote
- Concilie entradas: compare recebimento, documento e balança.
- Feche a desossa: registre cortes, subprodutos e perdas.
- Conte o estoque: pese por lote, corte e validade.
- Calcule custos: distribua custo conjunto com política consistente.
- Revise perdas: separe normal, validade, quebra e evento anormal.
- Analise margem: compare corte, preparo e canal.
Exemplo de rendimento
Uma peça de 100 kg custa R$ 3.000 e gera 68 kg de cortes principais, 18 kg de cortes secundários, 9 kg de aparas aproveitáveis e 5 kg de osso e perda. Distribuir R$ 3.000 apenas pelos cortes principais gera R$ 44,12 por kg, mas ignora o valor dos demais produtos.
A política deve atribuir custos de modo racional e manter o balanço de massa. Alterações no mix vendido afetam margem mesmo com o mesmo rendimento físico.
Estoque e ativos
O CPC 16 orienta custo, perdas e valor realizável líquido. Balcões, câmaras e equipamentos próprios são avaliados conforme o CPC 27.
O CPC 47 orienta a receita de venda, devoluções e descontos. Regras sanitárias e fiscais devem ser tratadas nas fontes específicas.
Indicadores
- Rendimento por lote e fornecedor.
- Custo e margem por corte.
- Perda por validade e quebra.
- Giro e dias de estoque.
- Margem de preparados e porcionados.
- Diferença entre peso físico e sistema.
Checklist
- Peso de entrada fecha com produção e perdas.
- Lotes e validades estão identificados.
- Produção interna tem ficha técnica.
- Perdas possuem causa e aprovação.
- Inventário físico foi conciliado.
Perguntas frequentes
Osso tem custo zero?
Não por automatismo. A alocação considera valor e política consistente.
Carne vencida é perda normal?
Deve ser investigada; previsão de perda não elimina a necessidade de controle e ação.
Produto temperado usa o mesmo custo?
Precisa incorporar carne, ingredientes, embalagem e transformação conforme ficha técnica.
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